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Ensaio: O papel da Informática na Ciência Moderna

O texto que em seguida é apre­sen­tado foi pro­du­zido para a cadeira de Expres­são e Comu­ni­ca­ção, e é subor­di­nado ao tema A Natu­reza da Ciên­cia e Tec­no­lo­gia. Reflecte a minha opi­nião pes­soal sobre os recen­tes avan­ços na área da tec­no­lo­gia e da informática.

Desde o iní­cio do século XX que a ciên­cia tem sofrido um avanço estron­doso. Se reflec­tir­mos sobre os avan­ços tec­no­ló­gi­cos, mesmo que ape­nas nos últi­mos 20 anos, é fácil de per­ce­ber o quão expo­nen­cial o cres­ci­mento cien­tí­fico e tec­no­ló­gico tem sido.

Tal é fácil de ver atra­vés de exem­plos: em 1989, um com­pu­ta­dor, como o Macin­tosh II, tinha uma capa­ci­dade de pro­ces­sa­mento da ordem das deze­nas de MHz (16 segundo a Wiki­pé­dia), e uma capa­ci­dade de arma­ze­na­mento de infor­ma­ção na ordem dos Megaby­tes; hoje em dia, um tele­mó­vel como o iPhone (pro­du­zido pela mesma empresa que pro­du­zia os Macin­tosh II) tem uma capa­ci­dade de pro­ces­sa­mento na ordem das cen­te­nas de MHz e uma capa­ci­dade de arma­ze­na­mento de deze­nas de Gigaby­tes (1 GB = 1024 MB).

Que quer, então, isto dizer? Que a ciên­cia e a tec­no­lo­gia ape­nas desen­vol­ve­ram a Infor­má­tica? Evi­den­te­mente que não. No entanto, esta foi uma das áreas que mais cres­ci­mento teve nos últi­mos tem­pos. Porquê? Por­que o avanço da Ciên­cia e da Tec­no­lo­gia Moderna está, cada vez mais, depen­dente da Infor­má­tica e dos avan­ços nesta área. Não quer isto dizer, no entanto, que as razões por detrás do grande desen­vol­vi­mento dos meios infor­má­ti­cos sejam ape­nas do foro cien­tí­fico. Exis­tem, obvi­a­mente, outras razões, já que a infor­má­tica tem um papel impor­tante na indús­tria do entre­te­ni­mento. Esse papel, con­tudo, é con­si­de­rado bas­tante recente, pelo que o ‘impulso’ ini­cial dado no desen­vol­vi­mento desta área terá tido ori­gem em outras razões, para além das eco­nó­mi­cas. Basta pen­sar­mos que as pri­mei­ras redes (como a ARPANET, pre­cur­sora da Inter­net) ser­viam para ligar, prin­ci­pal­mente, as Uni­ver­si­da­des entre si, de modo a per­mi­tir a troca de infor­ma­ção cien­tí­fica entre as mesmas.

É fácil per­ce­ber a ‘depen­dên­cia’ da Ciên­cia e Tec­no­lo­gia moder­nas da Infor­má­tica. Sendo o objec­tivo da Ciên­cia a com­pre­en­são do mundo que rodeia o ser humano, é natu­ral que, ao longo desta “jor­nada”, a quan­ti­dade de infor­ma­ção pro­du­zida seja cada vez maior. No entanto, a Ciên­cia está sem­pre em cons­tru­ção e aper­fei­ço­a­mento, pelo que a maior parte da infor­ma­ção obtida será, mais tarde ou mais cedo, neces­sá­ria, tanto para poder ser cor­ri­gida como para ser estu­dada mais apro­fun­da­da­mente. Existe, por­tanto, na Ciência, uma neces­si­dade de mani­pu­la­ção, arma­ze­na­mento e pro­ces­sa­mento de dados, tare­fas essas que são o cerne da Infor­má­tica. Evi­den­te­mente que estas pode­riam ser exe­cu­ta­das “manu­al­mente”, tal como foram durante vários sécu­los. Con­tudo, as capa­ci­da­des dos com­pu­ta­do­res (e res­tan­tes “máqui­nas digi­tais”) per­mi­tem que elas sejam exe­cu­ta­das de uma forma mais rápida e fiá­vel (a infor­ma­ção no for­mato digi­tal é mais facil­mente edi­tada, copi­ada e par­ti­lhada, tanto entre pes­soas como entre máqui­nas) o que faci­lita a inves­ti­ga­ção cien­tí­fica. É, por­tanto, essen­cial, a capa­ci­dade de arma­ze­na­mento que os com­pu­ta­do­res ofe­re­cem. Igual­mente impor­tante é a capa­ci­dade de pro­ces­sa­mento de infor­ma­ção, pois per­mite aos cien­tis­tas rea­li­zar simu­la­ções e criar ambi­en­tes vir­tu­ais que tes­tem teo­rias. Exem­plo disso são os tes­tes de coli­sões de par­tí­cu­las (na física) e a mode­la­ção de cadeias de pro­teí­nas (na bio­lo­gia molecular).

Por fim, e mesmo após uma deter­mi­nada inves­ti­ga­ção cien­tí­fica estar (apa­ren­te­mente) con­cluída, a Infor­má­tica con­ti­nua a desem­pe­nhar um papel fun­da­men­tal, prin­ci­pal­mente atra­vés da Internet.

Em rela­ção a esta, verifica-se que tam­bém sofreu um grande desen­vol­vi­mento ao longo dos últi­mos 20 anos. Se, nos finais do século XX, pou­cas eram as pes­soas que pos­suíam liga­ção à Inter­net, e, as que a tinham, dis­pu­nham ape­nas de liga­ções de dial-up (que per­mi­tiam ape­nas velo­ci­da­des até cerca de 56 kilobits/s), hoje em dia já são mui­tas as pes­soas com cone­xão por fibra óptica (até cerca de 100 megabits/s) à rede glo­bal. Esta ten­dên­cia não deriva ape­nas do carác­ter lúdico da mesma (embora este seja, deve­ras, um grande impul­si­o­na­dor) mas tam­bém devido à faci­li­dade de acesso e quan­ti­dade de infor­ma­ção dis­po­ní­vel na World Wide Web (já para não men­ci­o­nar qua­li­dade, essa, por vezes, duvi­dosa). Assim, atra­vés da Inter­net cien­tis­tas e inves­ti­ga­do­res podem (rápida e facil­mente), entre outras coi­sas, divul­gar os seus tra­ba­lhos e con­clu­sões à comu­ni­dade cien­tí­fica, cola­bo­rar com cien­tis­tas nou­tros pon­tos do pla­neta, ace­der a infor­ma­ção de outros estu­dos e (ponto deve­ras impor­tante) alar­gar o número de pes­soas com acesso aos seus trabalhos.

Por todos estes moti­vos, é impor­tante que a Ciên­cia con­ti­nue a desen­vol­ver a tec­no­lo­gia por detrás da Infor­má­tica, não só pelos bene­fí­cios que esta apre­senta para a huma­ni­dade em geral, como tam­bém pelas van­ta­gens que traz ao método cien­tí­fico (em ter­mos de rapi­dez, fle­xi­bi­li­dade e efi­ci­ên­cia) e pelo seu con­tri­buto deci­sivo na nossa busca pelo conhecimento.

Comentários

  1. Con­grats por um ensaio inte­res­sante, mas de alguma forma repe­ti­tivo (mas tam­bém hj estive muito can­sado). Espero que tam­bém gos­tem em Comu­ni­ca­ção ;)


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